O que queremos dizer quando afirmamos “o meu padroeiro é São Vicente”? Num
plano imediato, declaramos como “nosso” o que faz parte da nossa identidade, da
nossa história.
A celebração da Solenidade de S. Vicente, padroeiro principal da nossa
Diocese, conduz, inevitavelmente, a porção do povo d e De u s q u e v i v e em
L i s b o a a consciencializar quem é “o seu padroeiro”, levando-a a reflectir
sobre os méritos de santidade daquele que é o seu “padrinho espiritual”.
Ao admitirmos S. Vicente como nosso padroeiro, damos espaço no nosso íntimo
para que brotem sentimentos de afecto, de ternura, pelo seu exemplo de vida, assentindo
a sua importância modelar na Igreja que vive em Lisboa.
A palavra de Deus, própria desta solenidade, afirma que o homem busca
incansavelmente um sentido profundo para o trânsito dos seus dias. O convite
para encontrar uma outra respiração na agitação da cidade encontra-se, segundo
o Evangelho, na entrega das nossas vidas, no constante e absoluto testemunho
dos filhos de Deus, inclusive até ao sacrifico. Este foi o “espírito” do santo
mártir de Saragoça, nosso patrono. Urge que os cristãos de Lisboa sejam um inquestionável
reflexo do Espírito que norteou a vida de S. Vicente.
Não basta encontrarmos em Deus consolo para os nossos sofrimentos; há que
levar o impulso da sua graça a quem dele necessita, “para podemos consolar os
que sofrem” (2Cor. 1,4).
Não basta sabermos que só Deus nos poderá salvar da perdição e livrar de
todo o mal (Sir.51, 11); é necessário gastarmo-nos pelo irmão. Foi este o
espírito de São Vicente – que não se estabeleceu apenas como um semeador, tendo
sido semente; que não se impôs como um teórico das coisas de Deus, tendo
encarnado o próprio Deus, até à oferta do seu sangue (cf. Mt 10, 18.22).
Compete-nos encarnarmos este Espírito de S. Vicente, humanizando mais a
nossa cidade de Lisboa, no sentido de nos constituirmos para os irmãos como
semente de vida e de esperança.
Pe. José
Paulo Machado