Preparar-se é acolher em nós tudo o que pode suceder na nossa vida, e aceitá-lo não como uma fatalidade, mas tentando sempre descobrir-lhe o sentido.
Preparar-se é ainda deixar-se interpelar pelos apelos que nos vêm dos outros convidando-nos a transfigurar mentalidades, preconceitos e verdades imutáveis que o não são! Apelos que são desafio a repensar o nosso jeito de viver, de estar na vida.Preparar-se é fazer silêncio em nós para aprender a discernir, ou seja, a deixar o inútil e o acessório, o efémero e o supérfluo, para dar lugar em nós àquilo que é verdadeiramente essencial.Preparar-se é ter o coração desperto, à espreita de tudo o que nos pode converter em profundidade, para além das emoções e dos frémitos, esses precisamente que se vivem ou se dizem superficialmente sem nada em nós mudar em profundidade…Preparar-se é arriscar em Deus, com tudo o que isso comporta e significa de surpresa e de espanto, de novidade de beleza, de mudança de rumo e adopção de vida genuína e duradoira… Preparar-se para, na alegria e na liberdade, na fé e na simplicidade, acolhermos o «tempo de Deus».Esse tempo que vem, em que os homens enfim se reencontrarão como irmãos, livres e fraternos, no seu coração, pensamento e vida, para viver o dom, o diálogo e a partilha.Esse tempo que vem, em que a caridade dará as mãos à lei, uma lei respeitadora dos direitos de todos, que não oprime nem humilha ninguém, e que estará próxima dos pequenos, dos pobres, dos simples.Esse tempo que vem, onde o Amor não se reduz a um simples verbo a conjugar ou a uma palavra em bocas mentirosas, mas uma realidade verdadeira, assumida em todas as suas exigências, e que transforma este mundo em oásis de alegria e perfume de eternidade já no meio de nós.Esse tempo que vem, em que a terra dará frutos de justiça, de amor e de paz, que podem ser colhidos por todos – todos sem excepção – nos dias dos tempos novos próprios de quem acolhe em si o dom que é o Emanuel.Esse tempo que vem, onde sentimos e pressentimos que Deus chama. E que diante desse chamamento não podemos ficar no mesmo lugar. Porque o Advento é também esse tempo de bem-fazer em que cada outro pode maravilhar-se daquilo que nunca tinha escutado.Advento, essa preparação, esse tempo inolvidável, estação do perdão, não só na ponta dos lábios mas – e sobretudo – no mais fundo do nosso coração.Advento, essa preparação, esse tempo e espaço de acolhimento, aceitando a palavra do outro que vem mexer nas nossas convicções… do Tema de Fundo - Kyrios de Dezembro (em breve online)
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