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Pôr-se à escuta e de olhos abertos |
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Por toda a parte e à nossa volta cânticos e pedidos, gritos e exortações, lamentações e desalentos, que brotam de toda a parte.A cada instante a nossa atenção volta-se para qualquer recanto deste nosso planeta para escutar relatos de acontecimentos ou ouvir opiniões sobre tudo e sobre todos! Vivemos, existimos, num tempo e num mundo que é verdadeiramente uma «aldeia global» onde não se dispensa a comunicação.Podemos – e devemos – escutar os gemidos e as palpitações deste nosso mundo e assistir às mudanças rápidas e profundas a levarem-nos para um futuro incerto, ansioso, que profundamente ignoramos.Neste mundo repleto de ruídos, barulhos e imagens, num grande e derradeiro esforço, ousemos fazer silêncio. Esse silêncio que, de verdade, nos permite escutar Alguém que vem, teimosamente, para nos falar.Limpemos os nossos ouvidos desses ruídos, algazarras, tagarelices, mexericos, mentiras, que retêm a nossa atenção mas que apenas nos anestesiam e atordoam!Então seremos verdadeiramente capazes da necessária e urgente atitude de escuta, para tentar iluminar a nossa vida à luz da Palavra de Deus revelada em Cristo Jesus.E no meio de tantas palavras, ouçamos a Palavra… Os nossos olhos, estão cegos!Cegos do essencial! Cegos do genuíno e do profundo. Cegos do «mais» e do «melhor». Cegos!Contemplam-se e maravilham-se estes nossos olhos com o cintilar de luzes e de lantejoulas, mas não conseguem ver, não querem reparar nas rugas e nas cicatrizes.Os nossos ouvidos são surdos! Não procuram senão escutar doces melo-dias e harmoniosas sinfonias, mas que ignoram os gritos de quem sofre.Por isso, é preciso recomeçar uma estrada de verdade, de vida, de coração, de existência diferente!É preciso que se abram as nossas mãos, os nossos olhos e os nossos ouvidos, ao dom, à atenção,à generosidade, à escuta.É que apenas assim conseguiremos captar a harmonia e a cacofonia, o belo e o feio, a verdade ea mentira, o justo e a ignominia, do nosso mundo.Que se abra o céu, que se rompam as nuvens, e desça depressa o enviado de Deus. Para que sejamos libertados das cegueiras que não nos deixam ver no outro um irmão; para que sejamos curados da nossa surdez que não nos deixam escutar os gemidos e os gritos, as preces e os «obrigados» de cada outro. Que se abra o céu e sobre a humanidade desça, de novo, o Justo, que consegue curar-nos…
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