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Domigo de Ramos - Ano B - 5 de Abril de 2009 Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a «força» das tentações, experimentou a angústia e a amargura diante da morte; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. O Amor, sempre, sempre, como horizonte, prioridade, opção, desejo… Desse Amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de Amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes, da Igreja de cada tempo; ela é a mais fascinante «página escrita», com Sangue, sobre entrega, doação, Amor!. Contemplar a Cruz onde se manifesta o Amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-Se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a Cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à incompreensão, à rejeição, aos «dedos acusatórios apontados», à maledicência, à exclusão – no mundo e na Igreja(!) – à morte! Mas o cristão autêntico, o discípulo verdadeiro, sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição. Iniciar a Semana Santa, em espírito e verdade, mais não é senão «erguer» o olhar e a vida, a alma e o coração, para Cristo. Para Cristo que avança, decidido, ao Calvário! Mais não é senão esse desejo de comunhão, essa dinâmica de identificação, essa vontade de viver como Ele, com Ele! E amar, amar muito, esse «jeito», essa «postura», essa «maneira» única de se ser humano: amando até doer, amando até ao limite, amando até à «loucura» da vida oferecida! O resto, o resto, são palavras, boas vontades, teorias e devaneios mais ou menos espiritualistas! Olhar Jesus… e desejar, profundamente, com Ele avançar para a Vida que brota da nossa vida oferecida e entregue…
Pe. António Fernando Boletim Informativo da Paróquia do Estoril
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