|
O acontecimento da Ressurreição será sempre a aurora do inesperado, o alvorecer daquilo que todos julgavam e acreditavam impossível! Na verdade, do coração das trevas, irrompeu e brotou uma enorme luz! Das profundidades da morte – e de todas as formas de morte – surgiu, triunfante, a Vida verdadeira e definitiva: o Crucificado Ressuscitou! É a nova manhã do mundo; é a nova criação; é o Homem Novo que desponta. E Deus diz: “Não temais”! E aquilo que Deus diz, acontece: aqueles que ousam escutar e acolher o Ressuscitado erguem-se para caminhar juntos, para além de todas as angústias, de todas as «crises», de todos os fracassos e de toda a espécie de não sentido! Erguem-se os corações radiantes pela certeza e pela força da Páscoa e rumam, decididos, a uma humanidade reconciliada… Hoje, como outrora aos primeiros que aderiram ao Evangelho, Deus diz: “A paz esteja convosco”. E o que Deus diz, acontece: aqueles que se sentem e sabem atraídos por Ele, tornam-se profeticamente irmãos, para além de todas as fronteiras dos ódios e das vinganças, das indiferenças e dos medos, dos egoísmos e das vaidades, das mentiras e das injustiças! A paz oferecida pela Páscoa, será para sempre a certeza da vitalidade do Evangelho, da força da verdade e da caridade, sobre todas as formas inventadas pelos tempos de mortes! Neste nosso tempo, claramente lembrado pela ausência de sonhos e de projectos, pela libertinagem selvática e despersonalizante, pelos egoísmos atrozes e pecaminosos, urge que a Igreja que somos aponte ao mundo a luz da Ressurreição. Urge que nos ergamos, sem medos nem vergonhas, conscientes da nossa vocação de construtores da civilização do amor, para reiniciarmos uma nova humanidade, marcada pela justiça, pela paz e pela solidariedade entre todos e cada um dos povos, entre todos e cada um dos homens. A começar bem ao nosso lado! “Porque estais perturbados? (…) Vede as Minhas mãos e os Meus pés: sou Eu mesmo”! Porque havemos de andar perturbados, receosos, indiferentes ou apáticos? A Ressurreição do Senhor serena os corações crentes, as vidas confiadas e abandonadas na Sua Palavra! Ele permanecerá connosco até ao fim dos tempos! Servirá a nossa fé, a nossa pertença à Igreja, o nosso catolicismo, apenas para perpetuar uma dimensão cultual?! Não fomos, ao contrário, sonhados para sermos «instrumentos» e «presença» daquelas mãos e daqueles pés, sinónimos do amor, do triunfo da Vida sobre a morte?!
Pe. António Fernando Boletim Informativo da Paróquia do Estoril
|