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Meditações da Noite de Oração Comunitária de Dezembro Print E-mail
TEXTO 1

Quantas luzes enchem as ruas e as montras das nossas cidades!

Quantos supérfluos e invólucros, quantos embrulhos e palavras vãs a esconderem aquele Presépio que ressurge diante de nós!

Quantas pressas e dispersões, quantos medos e veleidades atropelam a paz própria que ousa renascer nos nossos corações!

Quantos hotéis, quantas estâncias de esqui, quantas casas decoradas de coisas inúteis a fingirem aquela gruta pobre e humilde, aquela simplicidade criadora de Amor e de Paz duradoiras!

Quantas agendas sobrecarregadas, quantas prioridades enganosas, quantas consoadas cheias de efémeros e desprovidas do Menino que nos é dado, do Filho que nasce para nós!

Quantos corações impávidos e ocos, quantas vidas acomodadas e indiferentes, quantas almas vagabundeando à procura de nadas quando Aquele que é Tudo Se prepara para um Encontro desmedido, «impossível» e derradeiro!

Se quisermos reencontrar a alegria, se quisermos que este mundo volte a ser uma verdadeira família, se quisermos ver as crianças a sorrir de forma sã e duradoira, se quisermos ver resplandecer nos olhos dos mais novos a beleza da pureza e do amor, se quisermos reaprender a aventura do amor sem medida, se quisermos reconquistar a Humanidade para Deus, então, então… regressemos a Belém…

Não, não podemos mais ser como tantos outros! Não podemos ser mais peregrinos das mesmas catedrais de consumo! Não podemos mais ser devotos dos mesmos rituais festivos e vazios de conteúdo! Não podemos mais ser fiéis repetidores dos slogans natalícios gerados pelo mundo sem Deus!

Depressa, enquanto é tempo, regressemos a Belém…

 

TEXTO 2

Vim aqui, a Virgem tua Mãe, a saber bem o que te dizer!

Eu olho essa tua vida, cada uma dessas imagens, que tão bem consigo ver, sentir, amar…

Sentei-me, e assim fiquei, em silêncio a rezar! Senti descer sobre mim, a força e a graça do meu Senhor que em mim operava maravilhas! Eu por ti, contigo, esperava o Filho eterno de Deus, o teu e o meu Senhor.

Sentei-me, e assim fiquei, em silêncio a rezar! À espera de uma ternura, de um carinho, uma «porta aberta» que acolhesse o Senhor da Vida!

Mãe de Deus e de Deus filha, assim fiquei, em silêncio a rezar! Buscando outras vidas e outros corações, sedentos de Deus e da Sua Graça, acolhedores simples e autênticos, de uma paz que ninguém vos poderá tirar!

Esta noite falo-te pela força do meu silêncio! Exorto-te pelo som harmonioso da paz que me invade! Chamo-te pela eloquência deste abandono e pela beleza desta humildade e desta confiança…

Apenas te segredo: não te imponhas diante do Menino! Confia! Oferece! Entrega! Reza! Adora! E ama! Ele é o teu Senhor! Ele é o teu Deus! Porque não crês?! Porque não ajoelhas!? Porque teimas em não adorar?! Porque temes?! Porque foges?!

Eis-me aqui! Aprende comigo, a Senhora do «Sim», que te ensina a balbuciar um novo «sim» obediente para que afaste o rochedo da tua desobediência e do teu orgulho vaidoso e desordeiro!

Sim, o importante é escutar e acreditar! O importante – agora – é transformares as palavras vãs, as tagarelices ineficazes da tua vida em Dom que te converte, te enche e te preenche bem por dentro!

Sentei-me, e assim fiquei, em silêncio a rezar!

A rezar por ti! Por ti mesmo!

No meu seio, no meu ventre, no meu colo, nos meus braços, Aquele que te ama infinitamente. Aquele Raio de Sol que transfigura as noites dos teus medos em brilho de auroras radiantes onde a paz reinará bem dentro de ti…

Em silêncio! Em contemplação! Para te ensinar, que és grande quando te fazes pequeno; que és forte quando te ajoelhas e adoras; que és rico e poderoso quando partilhas e dás; que és luz e vida quando abraças a simplicidade e crês e vives a aventura solene do serviço e do despojamento!

No silêncio! A olhar para ti! Para essa tua vida! Esse teu coração! Para ti, fruto do meu ventre gerado na Cruz! Na Cruz, donde brota a minha maternidade por toda esta Humanidade enlouquecida, perdida, a precisar de Deus…

Sentei-me, e assim fiquei, em silêncio a rezar… por ti!

 

TEXTO 3

Não me conheces!

Nem sequer me entendes!

Ignoras o meu «sim» diante da vontade de Deus!

Sim, duvidei! Tive medo! Vacilei e caí! Simplesmente deixei que a minha humanidade se sobrepusesse à «loucura» amorosa de Deus!

Desejava-O à «minha imagem e semelhança»! Exigia que Deus coubesse nos meus humanos parâmetros e nas minhas mesquinhas ideias fixas a Seu respeito e a respeito da Sua Palavra!

Não, não podia ser! Deus não podia ir «tão longe»!

Mas ousei escutar uma palavra diferente: “Não temas!”.

E, sem medos nem barreiras, sem muralhas à volta do peito, entreguei-me à mais bela das tarefas, à mais sublime das missões: ser o Guarda do Redentor!

Deus precisava do meu silêncio e da minha confiança; Deus pedia-me entrega e abandono; o Senhor nosso Deus desafiava-me à simplicidade e à discrição como o tesouro que enriqueceria toda a minha vida…

Tudo Lhe entreguei: medos, dúvidas, vacilações, indecisões, projectos, sonhos…

Tudo Lhe pertencia, porque d’Ele tudo havia vindo! E nesse aniquilamento, nessa paixão pelo Filho que meu seria também, encontraria a plenitude da existência!

Nada mais nobre! Nada mais solene! Nada mais poderoso! Nada mais valioso! Ser Guarda do Redentor do Mundo! Ser Seu «calor» e Sua «ternura», ser Seu «colo» e Seu afecto, Seu mestre e Seu pai…

Que posso dizer-te a ti, hoje?

Que posso ensinar-te senão a grandiosidade da simplicidade e a riqueza do despojamento?! Que posso segredar ao teu coração ansioso e tantas vezes distraído senão que entregues, confies e te abandones Àquele que tanto abracei e tanto amei?

Que caminhos te posso revelar senão mesmo os daquele verdadeiro e genuíno Presépio desprovido de tudo mas repleto do essencial: Deus, Deus feito Carne, Deus feito Criança, Deus feito Pobre, Deus feito Amor frágil e «trémulo»?!

Guarda do Redentor! Eu, naquele tempo; tu, neste que te é dado viver! Guarda da verdade e da paz, guarda da simplicidade e da beleza que salva o mundo, guarda do tesouro e do Dom mais supremo que todos os dons: Jesus Menino…

 

TEXTO 4

Nós, os de longe, vimos a sua estrela! Os de perto, não!

Os de longe ousámos deixar as nossas terras, as nossas certezas, as nossas verdades, os nossos caminhos e projectos pessoais… os de perto, os Seus, não!

Os de longe desejávamos algo mais nobre e mais profundo, mais verdadeiro e mais libertador.. os de perto não!

Os de longe deixamo-nos guiar por um sinal estrelado, tivemos sede de infinito, de eterno, de definitivo, correndo os riscos do ridículo à procura de um Personagem misterioso… os de perto, não!

Sentíamo-nos devorados por uma busca apaixonada e ardente do significado da vida humana, e o caminho para Jerusalém foi para nós como que uma viagem em direcção à esperança, uma tentativa de apreender uma nova e derradeira luz para a nossa alma… os de perto, não!

Para nós, os de longe, como foi eloquente e gratificante, decisiva e inenarrável essa sã inquietação e esse valioso desprendimento. Uma «estrada percorrida» para jamais nos instalarmos na mediocridade e na baixeza de critérios, desejos e opções! Mas, para os de perto… não! Nada é eloquente! Nada vale a pena! Nada importa interiormente! Nada vale se não estiver cotado na bolsa ou valorizado numa montra qualquer!

Nós, os de longe, sentíamos que havia sempre algo para aprender, caminhos novos a trilhar, aventuras outras a percorrer, experiências aliciantes a incarnar… por isso seguimos uma estrela! Os de perto…não! Já sabem tudo! Já aprenderam e apreenderam todas as coisas! Já nada os inquieta! Nada os desinstala e alicia a percorrer novos caminhos e a abraçar novas causas!

Para nós, os de longe, acreditar e confiar não significava sentarmo-nos em tronos da auto-suficiência, em pedestais de glórias vãs e passageiras, mascaradas de importâncias e desassombros humanos! Para nós valia mais caminhar sempre por trilhos rumo a um bem cada vez maior e mais gratificante! Para os de perto… não!

Esses mergulham, apostam, desejam e entregam-se a «becos sem saída», a «cruzamentos» perigosos de opções efémeras e projectos causadores de desesperos e de «nadas» que lhes arrebatam a vida e a alma!

Entrámos! Ajoelhamos! Adorámos! Os de perto… não!

Não têm tempo! Apenas se ocupam e preocupam com os horários sobrecarregados, os negócios inadiáveis, os encontros absolutizados e prioritários, as opções super-importantes e decisórias!

Oferecemos ouro, incenso e mirra! Como a um verdadeiro Deus, verdadeiro Profeta, verdadeiro Homem. Os de perto… não! Entregam do que lhes sobra e não lhes faz falta; dão do que não precisam e o que não querem! Como a um verdadeiro desconhecido, verdadeiro indiferente e verdadeiro insignificante!

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