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Domingo da Ascensão do Senhor - Ano B - 24 de Maio de 2009
“Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu?” Esta será sempre a mais perigosa das tentações da Igreja peregrina de cada tempo! Este será sempre o «obstáculo» maior a ultrapassar pelos discípulos de Cristo, «mergulhados» que estão em cada tempo, cada cultura, cada sociedade… ficar a «olhar para o Céu» esquecendo que, verdadeiramente, o Reino de Deus já está no meio de nós!.. Olhar para Jesus Cristo, a Sua missão, a Sua acção, as Suas palavras e milagres, os Seus gestos e o Seu Coração, conduzir-nos-ão, necessariamente, a essa consciência de que o Reino de Deus acontece, constrói-se, vive-se e experimenta-se bem aqui na Terra, onde os corações dos homens de cada tempo suspiram e anseiam por uma paz, uma presença e uma liberdade que os torna verdadeiramente humanos! As fomes saciadas das multidões, as curas de tantas e diversificadas maleitas, a ternura e a misericórdia oferecida e partilhada a demasiados corações destroçados, os pés lavados aos discípulos, a remissão dos pecados aos pecadores do Seu tempo – e de todos os tempos – mostram-nos, com clareza, que é bem aqui, neste nosso mundo, que havemos de colocar o «olhar», os «esforços», a «entrega», a «dedicação», o «apostolado» e a «fé», de queremos, de verdade, instaurar aquilo que Jesus denomina de Reino de Deus! Uma fé ou uma piedade intimista, de olhar desviado para a história concreta dos homens nossos irmãos, consegue e alcança, apenas, uma desvirtuação daquilo que Jesus sonhou, pregou, anunciou e viveu com tamanha eloquência, empenho e dedicação! Uma espiritualidade que prescinde de olhar o coração e a vida concreta dos nossos contemporâneos, uma adesão a Cristo que renega as «crucificações» do nosso próximo, uma relação e oração com Jesus Cristo, feita de joelhos e de olhos postos ao alto com medos e vergonhas, com apatias e medos, com preguiças e devaneios, com fingimentos e alienações diante da real e concreta vida de cada outro humano igual a nós, apenas merece afastamento e reprovação de tais condutas de vida! A pergunta permanece, inquietante e provocadora: porque estamos a olhar para o céu se é aqui, no coração concreto de cada homem e mulher que podemos – e devemos – oferecer Deus, a Sua Palavra, a Sua Paz e o Seu Reino? Bastará enchermos a boca com a palavra «crise», percebendo os «destroços» concretos que ela consegue em demasiados lares e famílias e fugindo à «hora» concreta de instaurar esse Reino de amor e de paz, de júbilo e de esperança?! Será possível que ousemos «perdermo-nos» nas «nuvens» da nossa espiritualidade e pietismo religioso em detrimento da coragem e da ousadia de sermos uma Igreja que serve, que lava os pés, que oferece a outra face, que vai ao encontro das «feridas» dos homens e mulheres caídos à beira dos caminhos deste tempo?! O mais fácil, o mais cómodo, o mais alienante e enganador, será mesmo fecharmos os olhos e o coração, perdendo-nos em orações e «piedades» que nada têm a ver com o Evangelho! Até quando? Será que iremos esperar escutar um dia aquelas tremendas palavras do Mestre: “Não vos conheço!”?
Boletim Informativo da Paróquia do Estoril
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