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XXVI Domingo do Tempo Comum - Ano B - 27 de Setembro de 2009
Uma grande tentação pode invadir os nossos corações: julgar que descobrimos já toda a verdade e ninguém mais pode acrescentar o que quer que seja àquilo que já temos como verdadeiro, como definitivo, como imutável! É a tentação da auto-suficiência, da pseudo-superioridade, do exclusivismo religioso ou espiritual, onde menosprezamos e minimizamos os que não pensam como nós! Os «ciúmes» - para citar uma palavra da Liturgia deste dia – são perigo actual na nossa caminhada de fé que nos pode afastar verdadeiramente do coração de Deus! De facto, quando deixamos que a sobranceria religiosa, espiritual ou moral nos invada, estamos simplesmente a colocar entraves ao Espírito de Deus que sopra onde quer e como quer! O fundamentalismo, a cegueira ou o radicalismo das nossas atitudes, comportamentos, crenças, não fala de Deus nem da fé que dizemos possuir! Ao contrário, ofuscam o verdadeiro rosto do Senhor, afastam os que procuram abeirar-se da Verdade que é Deus, porque encontram nos nossos juízos e preconceitos um obstáculo imenso que os impede de caminhar, de buscar, de encontrar… Podemos escutar o Evangelho de hoje e «ler» aí algum «fundamentalismo», da parte de Jesus! Tal não é verdade! Ele deseja, precisamente, acabar com fundamentalismos e obsessões religiosas! Há que estar e viver em liberdade, ou seja, buscar acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça, pois de que as nossas mãos, os nossos pés, os nossos olhos, são demasiadas vezes sinónimo de repressão, de julgamentos, de condenações, de opções erradas, de critérios efémeros, de passos mal andados… De que nos vale a fé sem caridade? Que importância terá a nossa oração, a nossa espiritualidade, sem amor, sem aceitação da diferença do outro? Que nos aproveitará a Eucaristia se estiver desprovida de solidariedade e de compaixão? De verdade e de coerência? De justiça e de paz? S. Tiago sublinha que a riqueza do coração tem de ser na simplicidade, humildade, mansidão, paciência; quando ele se ocupa e preocupa com as riquezas do mundo, está condenado à podridão, ao envelhecimento e à perdição… Há que escolher: a Geena ou o Reino de Deus!
Boletim Informativo da Paróquia do Estoril
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