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XXVII Domeingo do Tempo Comum - Ano B - 11 de Outubro de 2009
“Falta-te uma coisa”! Numa aparente busca do essencial, num desejo da profundidade existencial, numa procura daquilo que, verdadeiramente, vale mais, em anseios de liberdade verdadeira e autêntica, aquele homem ainda não tinha entendido que estava longe daquela outra Verdade, daquele Caminho que lhe proporcionaria a verdadeira Vida! “Falta-te uma coisa”! Uma coisa que – como se perceberá – seria básica, derradeira, fundamental! Faltava-lhe o coração em Deus! Faltava-lhe a alma em «estado» de confiança e abandono, de entrega e de disponibilidade n’Aquele que fita sobre nós o Seu olhar com amor, ternura e afecto! Cheio de si mesmo, das suas coisas, fechado, afinal, nos seus esquemas e opções, determinado em seguir e confiar exclusivamente nas suas verdades e critérios, escusa-se a dar o passo que o libertaria profunda e determinantemente das amarras em que se havia deixado prender! A esse homem aparentemente inquieto e desejoso de «mais», sucedemos nós hoje, os cristãos que acreditam e confiam mais em si próprios, nas suas imagens e rostos de Deus, nos seus hábitos e tradições, do que no Deus vivo e verdadeiro que nos ensina que o coração do homem apenas quando completamente dependente de Deus se torna fecundo, grande, livre… “Cem vezes mais neste mundo e no outro a vida eterna”! É a proposta de Jesus. E nas «contas» que fazemos sobre o que e o quanto havemos de ser e de dar, não valeria a pena olhar de novo para essa «lógica» apresentada pelo Mestre? Não seria proveitoso para nós reequacionar as nossas decisões e as nossas apostas? Não ganharíamos em questionarmo-nos sobre aquilo que temos e aquilo que nos falta? Mesmo que nos pareça que nos falta quase nada; mesmo que estejamos já convencidos de que já vivemos “tudo isso desde a nossa juventude”, não nos enriqueceríamos acreditando e aceitando esse caminho de vida apresentado pelo Senhor Jesus? E se nos falta ainda “uma coisa”?! E se essa “coisa” é Deus? E se, afinal, também nós estivermos privados desse Bem essencial e insubstituível? E se tivermos medo de nos libertar dessas prisões múltiplas que amarram o nosso coração e o privam da liberdade que Cristo nos alcançou no Madeiro da Cruz? E se ousarmos a radicalidade do Evangelho? Que nos acontecerá? Experimentemos… talvez nos tornemos discípulos da vida eterna no «já», no «agora» do nosso peregrinar…
Boletim Informativo da Paróquia do Estoril
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