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II Domingo do Advento - Ano C - 6 de Dezembro de 2009
"O Advento, preparação do Natal, começa mais cedo nos centros comerciais do que nas igrejas. Este ano, afectado pela crise mundial que lançou milhões no desemprego, não se fala tanto da febre consumista, mas da urgência da solidariedade que ainda não conseguiu encher de vergonha aqueles que se enchem com a crise e nem levar os gestores da banca e das empesas privadas e públicas a repartir os seus salários escandalosos". O Advento é desafio à minha vida instalada e provocação à minha apatia diante da «sorte» de tantos homens e mulheres que, também eles, desejam celebrar o Natal, ou seja, essa Abraço de Deus a cada coração humano! Preparar os caminhos do Senhor, ser capaz de altear vales e aplanar montes e colinas, é a missão que recai sobre a nossa fé, aqui e agora. Num esforço para não reduzirmos as profecias a mera poesia e a bela demagogia espiritualista, há que ousar fazer deste «tempo favorável» uma oportunidade de sermos de Deus. A sério! E não numa adesão simbólica, esteriotipada, ritualista e sonolenta. «Vem depressa, Senhor Jesus», repitamos com consciência e paixão. A fim de que a verdade seja critério neste nosso Advento. Com o desejo assumido de aplanar os montes da nossa indiferença, do nosso orgulho e da nossa avareza! Para que alcancemos o aplanar desse montes infames do egoísmo que gera dor e sofrimento a tantos e tantos, os montes do endeusamento pessoal, a «fome» de uma imagem e fachadas que não são a verdade das nossas vidas, os montes da nossa presunção e da nossa pseudo-superioridade aniquiladora de fraternidade e de justiça! E, simultaneamente, altearmos os «vales e as colinas» da nossa generosidade e compaixão, da nossa partilha e do nosso compromisso com a história de cada outro, da nossa verdade e do nosso empenhamento em que "toda a criatura veja a salvação de Deus". "Depressa" Senhor Jesus, vem ao mundo, à Tua Igreja, aos Teus discípulos! Vem, Senhor, e não tardes! Os «desertos» em que nos tornámos, os corações ressequidos que possuímos, apenas nos alcançam um Advento e um Natal ideológico, desencarnado das vidas, teoria da caridade e boa vontade provisória e fraudulenta! «Depressa», Jesus, vem ao nosso mundo, à nossa alma, e consegue-nos a alegria da paz partilhada, da caridade efectiva, da justiça incarnada, da verdade assumida, do despojamento desejado, da Festa celebrada...
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