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III Domingo do Advento - Ano C - 13 de Dezembro de 2009 Sabemos e acreditamos todos que o Advento é um tempo predominantemente marcado pela virtude da Esperança. Talvez não saibamos – nem acreditemos – todos é que essa Esperança pode ser vivida de variadas formas. Umas mais cristãs do que outras, objectivamente! A Esperança pode ser sólida ou piegas, isto é, uma Esperança marcada e definida pelo concreto, pela dinâmica, pela acção, pelo desejo efectivo ou, ao contrário, por uma esperança desencarnada da vida, idealista, pietista, espiritualista, de boas e subjectivas intenções que resultam em inacção e em apatia! O Evangelho deste terceiro Domingo oferece-nos respostas concretas e objectivas, práticas e actuais sobre a forma de vivermos esta mesma Esperança, virtude concretizável na nossa caminhada cristã, no nosso desejo de nos acercarmos do mistério de Belém! As multidões perguntavam a João Baptista – que lhes anunciava a vinda do Salvador – o que deveriam fazer a fim de prepararem conveniente e seriamente esse mesmo encontro. E eles respondia-lhes que essa preparação haveria de consistir numa vida renovada, num coração convertido, em atitudes conformes com Aquele que breve chegaria. Respondia-lhes que vivessem na caridade e na generosidade, na partilha e na doação, na verdade e na justiça. Esse seria o caminho para se encontrarem e para se deixarem encontrar por Aquele que viria tirar o pecado do mundo e entregar-lhes a salvação! «Que havemos de fazer?» nós nesta «recta final» deste Advento de 2009? A resposta não é outra! É preciso um coração sensível a cada outro; urge uma caridade e generosidade efectiva e afectiva com os mais pobres e mais fragilizados; são necessários corações abertos à construção de uma sociedade mais justa e mais sã; precisam-se braços, pés, mãos, vidas, que não se conformem com a desigualdade e o sofrimento, a angústia e o desespero de incontáveis homens e mulheres que têm também direito à experiência feliz e libertadora do Natal! Quando chegará o dia em que faremos da partilha e da generosidade a nossa «marca» de fé?! Quando deixaremos de dar apenas aquilo que não nos faz falta, o que nos sobra, quanto não precisamos?! Será isso a caridade cristã? Serão essas atitudes evasivas e tranquilizadoras de consciências que nos abrirão ao mistério de um Deus que prescinde de tudo para Se dar em absoluto a cada um de nós? Comecemos, sem medos, por nos perguntar: “Que havemos de fazer?”! E, sem medos também, ousemos a escutar a resposta do Evangelho de hoje: “Quem tiver duas túnicas dê a quem não tem. E quem tiver alimentos faça o mesmo”… Isto sim, é Esperança cristã, dinâmica, sólida. A outra, é piegas, inebriante, ilusória, que não interessa a ninguém…
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