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Epifania do Senhor - Ano C - 3 de Janeiro de 2010
São estas as duas últimas palavras do Evangelho deste Domingo da Epifania. Numa alusão clara à eficácia própria de quem se encontra e se deixa encontrar por Deus! Como aqueles Magos, também nós somos desafiados a deixar as nossas terras de «verdades e certezas absolutizadas»! Também nós somos convidados a largar preconceitos e juízos, vaidades e auto-suficiências! Para que possamos, de verdade, percorrer outro caminho… outro caminho que leve ao coração de Deus, ao coração dos irmãos! Celebrar o Natal, embrenhar-se na Festa e nas festas, e permanecer fechado no seu casulo de dogmatismo, incapaz de aderir ao «compromisso» e à «cumplicidade», será sempre sinónimo e apatia espiritual e de comodismo existencial! Quando nada acontece de novo, positivamente novo, após «dizer», «cantar», «celebrar» Natal, então é porque chegámos ao Presépio com os nossos cofres de «ouro, incenso e mirra» absolutamente vazios! É sinal de que a festa foi exterior, «mágica», simbólica, desencarnada! E por isso mesmo, pobre, oca, inconsequente… “Por outro caminho” é a nossa atitude! Diante da incoerência e da mentira, seguimos a fidelidade e a verdade. Presos no «sono» e na «cegueira» que nos impede de dar amor ao próximo, escolhemos a fraternidade e a justiça. Quando caímos na opulência e na vaidade, decidimo-nos ao despojamento e à vaidade. Se enamorados pelo endeusamento pessoal e pela pseudo-superioridade, deixemo-nos seduzir e vencer pela humildade e pela simplicidade. Porque se não trilharmos outro caminho, se não experienciarmos na nossa própria vida a beleza do Presépio, apenas estaremos a «gritar» ao mundo que a Festa se reduziu a uma encenação, que o Menino Jesus é «coisa» do passado e que, afinal, o Pai Natal nos conquistou profundamente. Porque esse, segue sempre na mesma direcção, isto é, num apelo clamoroso ao efémero e ao sucedâneo; o Menino, ao invés, avança, por outro caminho: de Belém ao Egipto; dali a Nazaré; segue para Jerusalém; decide-se pelo Calvário; ressurge na Páscoa como «fim da caminhada»... Por onde estamos a seguir?
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