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II Domingo do Tempo Comum - Ano C - 17 de Janeiro de 2010 O relato das bodas de Caná. O primeiro milagre, sinal de Jesus. E neste gesto não é difícil de entender que a missão de Jesus Cristo é, precisamente, transformar. Ele torna-se, assim, o fermento novo metido na massa do mundo para lhe dar novo sabor e novo sentido. Ele revela e ensina, desde o seu primeiro sinal, que a nossa missão é «transformação». E ao jeito de Maria, precisamos nós hoje estar atentos! Atentos para nos apercebermos quais as necessidades do nosso próximo. Atentos a fim de termos os olhos e o coração abertos às aflições, dificuldades, dores e anseios de quantos peregrinam bem ao nosso lado. E depois, eficazmente, agir. Como Maria: “Não têm vinho”! Confiadamente, Maria dirige-se Àquele que é a única resposta aos anseios mais profundos, às inquietações mais sérias do coração humano. Hoje, aqui e agora, urge esta nossa atenção e compromisso para reconhecermos onde é preciso transformação. Para sermos estes profetas da vida e da liberdade, onde «gritamos» com a voz e com a vida, diante das injustiças e dos sofrimentos, como escutamos na primeira leitura: «Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora». Quem senão nós, os cristãos, os primeiros a poder empenhar-nos em construir algo de novo, de ousado, de diferente? Ao jeito de Maria, havemos de dizer sim a uma Igreja, a um mundo, a uma vida diferentes. Acreditar na força da nossa fé; crer firmemente n’Aquele que nos congrega e dar-Lhe as nossas mãos para que também hoje se transformem «aguas podres e salobras» e vinho novo de esperança e de verdade, de justiça e de fraternidade. Neste nosso tempo que, progressivamente, vai deixando de amar a vida, se baralha e confunde nos critérios a seguir e nos valores a abraçar, somos todos precisos para transformar mentalidades e convicções. Abramos os nossos olhos. De verdade. Será que não conseguimos ver demasiadas talhas de água a precisarem ser transformadas? Quantos corações, quantas realidades, a precisarem urgentemente provar esse vinho novo do perdão, da verdade e da paz! Quanta água estagnada e salobra a contaminar e a «pôr em cheque» o futuro do homem e da humanidade! Não precisarão as famílias de provar o vinho novo do diálogo, do perdão, da fidelidade, da ternura, do amor verdadeiro? Não precisarão os pobres, os sem tecto, sem trabalho, com ordenados em atraso, os sozinhos e os esquecidos, de provar o vinho novo da nossa partilha, da nossa presença e da nossa generosidade? Agora, é a «hora da transformação»! Começando por transformar a nossa própria vida! Por escutar (bem mais que ouvir) a palavra que liberta e salva! Palavra que nos indica e aponta o caminho: «Fazei o que Ele vos disser»! Não, não basta ouvir e gostar da palavra proclamada! Importa fazer, agir, acontecer, transformar! Para que sobre cada um de nós se possa dizer: «Serás coroa esplendorosa nas mãos do teu Senhor», «Serás a alegria do teu Deus»!
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