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III Domingo do Tempo Comum - Ano C - 24 de janeiro de 2010
A liturgia deste Domingo coloca no centro da nossa reflexão a Palavra de Deus e o valor que lhe damos, pois que ela é, verdadeiramente, o centro à volta do qual se constrói a experiência profunda e autêntica da vida cristã. Essa Palavra não é uma doutrina abstracta, para deleite dos intelectuais; não é solução facilistista para responder aos nossos anseios espiritualistas; mas é, primordialmente, um anúncio libertador que Deus dirige a todos os homens e que incarna em Jesus e nos cristãos. A fidelidade ao “caminho” percorrido por Cristo é a exigência fundamental do ser cristão. A fé não é atitude «light» ou «soft» que possamos ter nas nossas atitudes, desejos, horizontes, pensamentos, decisões! De uma vez por todas deveríamos perceber que não podemos atribuir à fé, à nossa experiência religiosa, à nossa adesão a Jesus Cristo, os mesmíssimos critérios do tempo actual, das modas vigentes, das hodiernas vontades soberanas, do política ou religiosamente correcto! A fidelidade à Palavra, ao Verbo, a Jesus Cristo, não se alcançam se revestidos de mentalidades mundanas, de consciências marcadas pela ligeireza e pela oportunidade ou não, pela conveniência ou não, da escuta e vivência dessa proposta que desinstala e incomoda! Com efeito, talvez o maior perigo para a Igreja dos nossos dias seja esse laicismo que criticamos na sociedade mas que depois incarnamos na fé. Na verdade, essa vaga laicizante que intenta obscurecer e esconder a radicalidade libertadora do Evangelho torna-se bem mais agressiva e nociva quando brota e se estende no seio da própria comunidade crente! Valorizar a eficácia, a beleza, a graça própria da Eucaristia, pelo tempo que demora a celebração, pelos minutos gastos da homilia, pela quantidade dos cânticos, não é mais que ser e defender a leviandade daquilo que é absolutamente derradeiro. O primeiro anúncio do Evangelho é feito pela palavra, alicerçada na vida vivida. Coarctá-la é menorizar um tesouro que nos foi legado; é travar a experiência mais bela da humanidade: falar, a propósito e a despropósito, de Jesus Cristo Pe. António Fernando
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